A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A CONSCIENTIZAÇÃO DO EDUCAR
A busca pela educação
é uma forma de lutar contra toda opressão sofrida. Recuperam sua humanidade,
questionando, transformando e recriando o seu cotidiano e tornam-se sujeitos
restauradores da humanidade dos oprimidos e opressores. Freire (1989, p. 19)
ressalta que “a alfabetização como ato de conhecimento, como ato criador e como
ato político é um esforço de leitura do mundo e da palavra”. Daí surge a
pedagogia libertadora, quando os indivíduos oprimidos lutam pela liberdade de si
mesmo e dos opressores. No entanto esta ideia de liberdade a primeiro momento
leva o oprimido a ser opressor do opressor, como diz Freire (2005, p. 21): O
“homem novo”, em tal caso, para os oprimidos, não é o homem a nascer da
superação da contradição, com a transformação da velha situação concreta
opressora, que cede seu lugar a uma nova, de libertação. Para eles, o novo homem
são eles mesmos, tornando-se opressores de outros. A sua visão do homem novo é
uma visão individualista. Por fim, a educação constitui uma forma real de
libertação quando voltada para essa finalidade. Isto acontecerá quando esse
sujeito se reconhecer como oprimido buscando sua própria libertação e
tornando-se um homem novo. Ressaltando que não é o professor que o liberta, mas
sim, o próprio aluno. É através da educação que é possível mudar o quadro do
alto índice de analfabetismo no Brasil. E os indivíduos antes oprimidos poderão
assim “ter as palavras”, e tornarem-se reconhecidos pelos seus conhecimentos,
configurando-se um intelectual orgânico.
A importância das atividades pedagógicas e sociais está em romper as barreiras
que excluem alguém do processo de construção do conhecimento, refletindo a
participação de cada um no mundo concreto. A teoria e a prática se combinam, a
fim de refletirem sobre a realidade da pessoa e contribuir para uma
transformação social extensa. Slide sobre o livro Pedagogia do Oprimido
Vídeo sobre o livro Pedagogia do Oprimido
Casa da Cultura de Campo Largo/ Biblioteca Pública Dr Francisco Ribeiro de
Azevedo Macedo – ambos espaços estão localizados no mesmo terreno e atendem ao
público com atividades culturais, localizadas em Campo Largo - PR
Casa da Cultura de Campo Largo
Biblioteca Pública Dr Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo
Centro de Cultura e Atividades Quando a cultura se considera como base do
desenvolvimento, a noção mesma de “política cultural” deve ser ampliada. A
existência de mais de 500 povos indígenas e nacionalidades no continente
latino-americano representa uma reserva humana de conhecimentos, saberes,
relatos e experiências de identidades ancestrais, que conseguiram chegar até o
século XXI e cuja maior riqueza está nessa experiência de sobrevivência e
resistência cultural. Esta pode se converter em um recurso de governabilidade
para as negociações por suas terras ou se transformar em suporte discursivo para
os atores sociais emergentes e sua ação coletiva, ou bem ser uma oportunidade de
empreendimentos econômicos para pequenas comunidades rurais que fazem destes
saberes os conteúdos que respaldam suas práticas de turismo cultural. A cultura
para o desenvolvimento abre possibilidades a comunidade para que possam criar
condições culturais para o desdobramento econômico e social e consigam uma
melhor distribuição dos recursos. Na Casa da Cultura, juntamente com a
Biblioteca Pública, faltam projetos de incentivo à liberação da criatividade e
dos talentos ao jovem. Somente neste ano (2021) 20 jovens com diversos talentos
foram encontrados mortos, em grande maioria por suicídio, tendo apresentado
quadros de depressão e ansiedade, assim como é um problema recorrente em todo o
mundo.
CUFA - CENTRAL ÚNICA DE FAVELAS
A CUFA promove atividades nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e
cidadania, como grafite, DJ, break, rap, audiovisual, basquete de rua,
literatura, além de outros projetos sociais. Além disso, promove, produz,
distribui e veicula a cultura hip hop através de publicações, discos, vídeos,
programas de rádio, shows, concursos, festivais de música, cinema, oficinas de
arte, exposições, debates, seminários e outros meios. São as principais formas
de expressão da CUFA e servem como ferramentas de integração e inclusão social.
Assim, através de uma linguagem própria, a CUFA pretende ampliar suas formas e
possibilidades de expressão e alcance. Deste modo, ela vai difundindo a
conscientização das camadas desprivilegiadas da população com oficinas de
capacitação profissional, entre outras atividades, que elevam a autoestima da
periferia quando levam conhecimento a ela, oferecendo-lhe novas perspectivas.
Agindo como um polo de produção cultural e prática desportiva desde 1999,
através de parcerias, apoios e patrocínios, a CUFA forma e informa os cidadãos
do Rio de Janeiro e dos outros 26 Estados brasileiros, além do Distrito Federal
e de países como Bolívia, Alemanha, Chile, Hungria, Itália e Estados Unidos.
Dentre as atividades desenvolvidas pela CUFA, além das supracitadas, há cursos e
oficinas de DJ, gastronomia, audiovisual, teatro, produção cultural e muitas
outras. São diversas ações promovidas nos campos da educação, esporte, cultura e
cidadania, com mão de obra própria. A equipe CUFA é composta, em grande parte,
por jovens formados nas oficinas de capacitação e profissionalização das bases
da instituição e oriundos das camadas menos favorecidas da sociedade; em sua
maioria, moradores de comunidades carentes. A CUFA (Central Única das Favelas)
tenta integrar o mundo da favela ao “asfalto” e a ‘todos os mundos’,
parafraseando um dos fundadores da ONG, o Rapper MV Bill: “A construção e
mudança da sociedade são feitas em conjunto”. Os moradores de áreas periféricas
têm poucas oportunidades de empreender e a Central foi criada para oferecer
cursos para que o conhecimento fosse, posteriormente, replicado pelos próprios
moradores. A CUFA deu uma ideia maior do que é a favela. Através das ações
desenvolvidas pela CUFA, ela possibilita que o morador deixe de vê-la como um
lugar carente e passe a vê-la como um lugar potente e de possibilidades. PAC -
Projeto Amigos das Crianças
O PAC Projetos Amigos das Crianças tem seu trabalho pautado nas diretrizes do
Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e
Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, tendo toda sua atuação
voltada para o Distrito de Pirituba, onde seus serviços estão inseridos, e
possui boa articulação com os demais serviços socioassistenciais, bem como com
políticas públicas da região, no âmbito territorial direcionado à família e aos
segmentos: criança, adolescente, jovem, idoso, pessoa com deficiência.
O PAC Projetos Amigos das Crianças trabalha com o desenvolvimento pessoal e
social de crianças, adolescentes e famílias em situação de risco e
vulnerabilidade social, por meio de ações socioeducativas, culturais e
profissionais, focando a emancipação do indivíduo, o fortalecimento dos laços
familiares e a conscientização do seu papel na sociedade. SEUS PROJETOS EDUPAC
BÁSICO- Aulas com atividades complementares à escola que contribuem para o
processo de aprendizagem. EDUPAC INTERMEDIÁRIO- Aulas com atividades
complementares à escola que contribuem para o processo de aprendizagem.
EDUCAMENTE- Curso preparatório para ingresso na formação profissionalizante
Jovem com Futuro. EMPODERA- Aulas de alfabetização para adultos. INCLUSÃO
DIGITAL DO PAC- Curso fundamental de ferramentas digitais para a inclusão social
de adolescentes e jovens. BIBLIOTECA E LAN HOUSE COMUNITÁRIA- Espaço de
convivência aberto à comunidade. A PRAÇA É SUA- Atividades culturais e lazer.
FUTPAC- Prática supervisionada de futebol. JUDÔ PAC BUDÔ- Aulas práticas de judô
em parceria com o Projeto Budô. BAILANDO NA COMUNIDADE- Aulas de balé clássico.
BALÉ AYO- Ayo=felicidade Aula de Balé para meninas negras. PAC CULTURA- Passeios
culturais e lazer. Logo no início da pesquisa percebi que escolhi o espaço certo
para utilizar como exemplo de transformação social. O projeto PAC superou minhas
expectativas, pois , sua missão é transformar a sociedade através da criação de
oportunidades, e não é só isso, a história da criação do projeto é muito
interessante. Em 2003, um grupo de amigos uniu-se com o propósito de realizar
visitas voluntárias em abrigos e orfanatos. Iniciaram as visitas na instituição
CAAV – Sapopemba, que atendia crianças soropositivas. O grupo foi crescendo e o
trabalho voluntário também. Com isso, o projeto passou a realizar visitas em
mais dois Abrigos, totalizando, em média, 140 crianças e adolescentes. O
trabalho, que inicialmente era de visitas e brincadeiras, foi amadurecendo e
assim o grupo voluntário passou a realizar algumas parcerias importantes,
viabilizando cursos de informática para os adolescentes e atendimento
odontológico, além ajudar financeiramente em ações pontuais, como reformas e
melhorias nos espaços, dentre outras. Sendo assim, o grupo voluntário decidiu
formalizar o trabalho, fundado em 18 de outubro de 2006, o PAC. Em março de
2007, foi inaugurado o primeiro serviço, o SAICA I (Serviço de Acolhimento
Institucional para Crianças e Adolescentes) – Casa do PAC I. Em novembro de
2010, o PAC fundou seu segundo serviço, o CCA – Centro para Crianças e
Adolescentes. Em março de 2012, o PAC fundou o seu terceiro serviço, o SASF –
Serviço de Assistência Social à Família. Em outubro de 2012, o PAC fundou seu
quarto serviço, SAICA II (Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e
Adolescentes) – Casa do PAC II. Saber como o Projeto PAC se iniciou faz com que
tenhamos um olhar especial diante dos problemas existentes na sociedade. É
necessário compreender que a Pedagogia Social precisa ultrapassar os muros da
escola e percorrer por toda a sociedade atuando em diversos locais, buscando
sempre contribuir para a formação do ser humano e para o desenvolvimento do ser
crítico e social, capaz de questionar e entender o mundo à sua volta. Portanto,
podemos concluir que todo esse conhecimento adquirido nesta pesquisa agrega na
formação dos educadores, pois um profissional munido de uma bagagem adequada
saberá manejar métodos pedagógicos cruciais para o desenvolvimento educacional
dos mais diversos perfis. A baixa escolaridade é uma das características de
famílias que apresentam vulnerabilidade social. Em comunidades vulneráveis, são
poucas as famílias que têm a possibilidade de dispor de materiais, jogos, livros
ou mesmo de tempo e atenção para dedicar às crianças. A vida escolar fica
afetada pelas vivências que acompanham as criança Diante disso, o educador
precisa identificar qual o nível de dificuldade do indivíduo. Em seguida, deve
promover uma ação pedagógica baseada na interdisciplinaridade, respeitando as
diferenças individuais, a construção e o ritmo de aprendizagem de cada criança,
estimulando-as através do lúdico, das interações sociais prazerosas e
significativas, da organização espaço-temporal e da linguagem. Trabalhar a
leitura e escrita é muito importante para desenvolver na criança a capacidade de
adquirir um amplo vocabulário, uma comunicação mais clara e abrangente, além de
facilitar o desenvolvimento intelectual e social.
Segue algumas sugestões de atividades a partir de jogos pedagógicos que poderão ser utilizados: Bingo dos sons iniciais, Caça- rimas, Dado sonoro, Trinca mágica, Batalha de palavras, Mais uma, Troca letras, Bingo da letra inicial, Palavra dentro de palavra e Quem escreve sou eu.
Através dessas e outras atividades é possível proporcionar interações entre crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, pois trata-se de um momento de troca, de convivência e lazer. Momentos de brincadeira e socialização favorecem o desenvolvimento da criança e do adolescente, além de aumentar o sentimento de proteção, auto confiança, amizade entre outros benefícios.
Portanto, é possível sim estabelecer um fortalecimento individual e coletivo de pessoas e/ou grupos em situação de vulnerabilidade utilizando recursos pedagógicos que oferecem ao indivíduo segurança, relacionamentos afetivos, oportunidades para o desenvolvimento de habilidades, amizades e autoconfiança; bem como atividades e serviços que contribuam para o seu desenvolvimento cognitivo, social, criativo, cultural, vocacional e emocional.
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